segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O chamado divino em contraste com as fraquesas humanas

     Somos tendenciosos a apresentar desculpas, desanimar, sentir medo, fugir de responsabilidades, entre outras maneiras de encarar negativamente o chamado divino para realizar algo em seu Nome. No diálogo entre Deus e Moisés no Monte Horebe, existem todos esses elementos, e foram proferidos por uma pessoa que já nasceu com o chamado divino.
     Contudo, suas expressões negativas diante da proposta divina, não bloquearam o desejo e os propósitos de Deus sobre sua vida, o que mostra não só sua soberania, como sua graça.
     Igualmente, o chamado envolve objetivos que precisam ser realizados. É óbvio que hoje encontraremos outras passagens bíblicas dizendo que se rejeitarmos o chamado, Deus levanta outra pessoa para realizar. Porém, esta é questão cerne do diálogo: Moisés realmente rejeitou o chamado, ou estava apenas mostrando suas fraquezas humanas, para receber uma declaração concreta da parte de Deus?
     Moisés é um dos principais personagens da história bíblica e serve de exemplo para qualquer obreiro, que mesmo diante de suas fraquezas e dúvidas, tem um chamado divino.

Primeiro lugar – não sou alguém importante ou poderoso. Moisés faz a declaração padrão de quase todos que vieram depois dele: “quem sou eu para fazer isso?”. O chamado divino não está na condição ou capacidade humana de poder realizar os objetivos apresentados. A obra proposta não é iniciativa humana, mas divina. Quando Deus chama alguém é porque viu qualidades, que só Ele pode ver, e não capacidade.

Segundo lugar – eu tenho certeza, mas como vou provar que fui chamado. Deus fez uma declaração positiva de que estaria com Moisés, pois ele não poderia realizar tão grande feito sozinho. Agora ele tem um problema: a provável rejeição ou desconfiança do povo (será que vão acreditar em mim? Como vou provar que Deus falou comigo?). Diante do medo de Moisés, Deus o capacita com poder sobrenatural para realizar sinais. Parafraseando: o poder que recebemos para ser prósperos, cumprir, acabar a obra que iniciamos, ou declaramos ter sido dirigidos por Deus.

Terceiro lugar – insistência em achar alguma capacidade humana para realizar cumprir o chamado divino. Moisés ainda estava insatisfeito com as declarações de Deus, e insiste em fugir da responsabilidade, por não se achar uma pessoa eloqüente. Novamente, a graça divina se manifesta com outra declaração positiva: Ao que lhe replicou o Senhor: Quem faz a boca do homem? ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar”.


     Interessante que Moisés continua dando desculpas e temeroso, ouvindo a poderosa voz e vendo uma manifestação sobrenatural de Deus. Imagine os obreiros do século XXI que dependem apenas das escrituras e de um ardente desejo de realizar a obra? Sem visão sobrenatural, sem fogo, sem voz audível! A situação se torna mais complicada que a de Moisés.

     Na próxima declaração de Moisés, fica difícil de entender o que ele pretendia com Deus. Ou esperava receber e sentir seus dedos “soltando raios” para tomar coragem, ou realmente não estava interessado em servir ao Senhor: “Ele, porém, respondeu: Ah, Senhor! Envia, peço-te, por mão daquele a quem tu hás de enviar”.

     É absurdo! E Deus também considerava isso, tanto que o texto diz que Ele se irou contra Moisés. Como pode um homem ser tão negativo diante da “face” do próprio Deus?! Como definir o motivo de tal declaração diante de Deus?

Que podemos concluir diante desse exemplo de Moisés?


     Se por compulsão ou não, Moisés cumpriu o chamado de Deus. Se o prazer em servir veio só após o envolvimento com o povo e a obra, não podemos saber. O escritor da Carta aos Hebreus diz que ele foi fiel em toda obra de Deus. E os livros de Êxodo, Números e Deuteronômio, nos mostram toda sua devoção.

     Ele nos deixou um legado, e Deus o mandou registrar como exemplo da manifestação de sua graça e bondade, no relacionamento com seus servos. Esse diálogo mostra que fraquezas e medos não nos impedem de ser instrumentos na mão de Deus, pois Ele pode lançar fora toda insegurança com sua palavra. A grande lição que eu guardo, é que Deus entrega grandes responsabilidades a pessoas simples e normais, pois como Marcos escreveu: “o Espírito Santo coopera com eles”.

     O conselho que eu deixo aos obreiros é: Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe o teu vinho com coração contente; pois antecipadamente Deus se agrada das tuas obras. Sejam sempre alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas...Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças”.

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