sábado, 4 de fevereiro de 2012

Como um trabalho missionário começa?

Já comentei em outros artigos que tive a honra de fazer parte da obra missionária no Japão ao lado do Pastor Eduardo Tanabe. Como começou este trabalho? Nada melhor do que ler as palavras do próprio Pastor Eduardo:
“No ano de 1991, o Senhor falou de uma forma especial conosco sobre a obra missionária. Naquele momento estava muito preocupado com a responsabilidade que estava recebendo sobre os meus ombros. Fiquei pensando como iria acontecer,  pois eu e a minha esposa estávamos em uma situação confortável no Brasil. Trabalhávamos em uma multinacional na qual nos proporcionava ganhos similares ao Japão. Estávamos com uma ansiedade e ao mesmo tempo questionando em como poderíamos ir para a obra missionária. Foi no ano de 1992 que o Senhor nos impulsionou de tal forma que nos abriu a porta e nesse momento ficamos convictos de que o trabalho era no Japão. Entendíamos que para se manter um missionário era necessário muito dinheiro e o nosso interesse era ajudar na obra missionária. Sendo assim, eu e minha esposa tomamos a decisão de vir ao Japão. Antes disso, tive a oportunidade ter o conselho do Pr. José Satiro dos Santos, expliquei a situação e, aquilo que Deus havia nos falado. Ele nos aconselhou dizendo algo que ficou marcado na nossa vida e que serviu para nossa tomada de decisão, para vermos a vontade de Deus e o desejo que tínhamos no coração, traçar os planos e seguir. Tivemos também alguns conselhos do Pr. Carlos Padilha que deixou para minha meditação o salmo 121 e disse para confiarmos em Deus e quando estivesse passando por uma prova, lembrasse do salmo e que grande seria a obra. Após conselhos, preparamos nossos documentos e como tinha condições não viemos por empreiteira, mas por conta própria pagamos a nossa passagem para vir ao Japão. Não tínhamos ajuda financeira, mas tínhamos as promessas de Deus e a benção dos pastores do Brasil e do Senhor. Chegamos no ano de 1992 no mês de novembro, neste período tínhamos o desejo de ajudar na obra missionária no Japão. No início não havia igreja na cidade de Mooka e ficamos 2 meses sem congregar. Estava muito preocupado pensando se estava realmente dentro da vontade de Deus e também com a vida espiritual de minha família. Após dois meses o Senhor preparou uma irmã, que não conhecíamos, cuja filha veio em nossa direção e perguntou se nos éramos crentes, e foi através desses irmãos que chegamos ao conhecimento dos trabalhos missionários da Assembléia de Deus no Japão. Naquele tempo pudemos encontrar com o Pr. Riosuke Kanashiro e Pr. Ismael Paulo Silva que nos deram as devidas orientações para a realização da obra do Senhor. Depois deste encontro tivemos a oportunidade de dirigir o trabalho em Yuki-shi, Utsunomia-shi e posteriormente Mooka, lugar onde fixamos a nossa sede. O campo cresceu e hoje são 18 igrejas que estão espalhadas em todo Japão com mais de 800 membros e congregados e tivemos oportunidade de batizar até Japoneses. A obra no Japão nos faz lembrar os pioneiros que vieram pela fé e alugaram salões e não tinham templos próprios. Em todo campo os irmãos lutam, oram, jejuam e contribuem para manter os seus trabalhos.”
Para conhecer mais sobre esta igreja, entre no site www.assembleidedeusjapao.com

Invertendo os papéis

“Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?”


     Fico inconformado com a maneira como invertemos os papéis no evangelho, isto é, na obra de Deus. Primeiro queremos que o Espírito Santo conduza as pessoas para ouvir a pregação no templo, sendo que a bíblia diz que nós devemos levar o evangelho a elas. Depois queremos transformar o coração das pessoas, convencê-las do pecado, sendo que a bíblia diz que isso é obra do Espírito Santo.
     Muitos vão alegar que ouviram testemunho de alguém que teve uma visão, ou sentiu vontade de procurar uma igreja. Porém, não podemos generalizar ou criar uma doutrina a partir de um testemunho, pois do contrário, não haveria necessidade de bíblia.
     Outros poderão citar Atos 2.47, mas o contexto prova que o evangelho estava sendo ensinado e pregado com sinais e maravilhas. Acredito que está na hora de revermos nossa teologia e metodologia.
     Poderia afirmar que Paulo foi o maior teólogo do cristianismo, e em todos seus escritos afirma a dedicação na propagação do evangelho e no contexto do versículo acima citado, ele afirma que o evangelho foi pregado em toda parte, mesmo que muitos não deram crédito, principalmente os judeus.
     Existem dezenas de outras referências nos evangelhos e nas cartas dos outros apóstolos convocando os discípulos de Cristo a anunciarem o evangelho.
     Quando eu digo “anunciar”, estou me referindo ao testemunho que devemos dar do que recebemos, cremos, esperamos, ouvimos e vimos de Deus, aos nossos familiares, vizinhos, colegas de trabalho ou da escola.
     Aqui no Brasil tive a infelicidade de ver alguns colegas morrerem sem a salvação de Cristo, mesmo após minha insistente pregação. Contudo, tive o prazer de ver alguns se convertendo e firmando os passos no evangelho.
     Quando estive no Japão, tive oportunidade de evangelizar japoneses, filipinos, brasileiros e peruanos. Não sei quantos foram, onde estão e como estão, mas sei que a semente do Reino foi lançada, e alguém regou, ou vai regar, e Deus deu ou dará o crescimento.
     Temos o costume de passar receita de bolo, comunicar um evento, comemorar o gol da seleção de futebol, com tanta empolgação, por que para falar sobre nossa salvação e fé é tão complicado?

Anônimos da Obra de Deus

Nunca poderemos imaginar os caminhos que Deus nos fará trilhar para cumprir seus propósitos em nossas vidas. Quando acreditamos que é “a hora”, Deus diz que ainda não é o tempo. Quando pensamos que estamos esquecidos, encostados, Ele abre uma porta. O melhor de toda essa experiência é descobrir que o Senhor está guiando nossos passos.
Assim foi minha vida no Japão. Como peregrino, mudando de uma cidade pra outra, de um estado pra outro, aperfeiçoei meu relacionamento com Deus por meio das experiências e provações. Tenho plena certeza que em minhas vitórias e fracassos, o Senhor esteve com sua mão invisível me guiando, levantando e sustentando.
Outra coisa interessante na jornada cristã e ministerial são as pessoas que o Senhor coloca a nossa frente. Criamos vínculos tão fortes que a distância nos traz dor quando nos lembramos dos momentos que vivemos juntos. Eu poderia citar dezenas de nomes importantes(farei nas próximas edições), mas hoje vou falar sobre dois grandes amigos: Pastor Eduardo Tanabe e Selma Tanabe.
Há aproximadamente 20 anos atrás, este casal, seguindo uma ordem divina, deixou seus bons cargos e salários em multinacionais no Brasil, para embarcarem com destino ao Japão. Como todos estrangeiros, sofreram muito na adaptação com o clima e o idioma.
Efetuando diversas viagens semanais para evangelizar, visitar e procurar oportunidades para a obra de Deus, chegando a exaustão para dividir o tempo no trabalho secular e a igreja. Com muito sofrimento e investimento, semeando com lágrimas, Deus deu o crescimento. Hoje com centenas de pessoas salvas e batizadas, contam com várias congregações em diversas províncias, dezenas de obreiros formados e preparados, e uma forte influência na sociedade japonesa.
Tive o prazer de conhecê-los em dezembro de 1999(6 meses depois de eu chegar ao Japão) e a partir daí desenvolvemos uma grande amizade. Grande foi meu prazer em servir a Deus e a igreja ao lado desse casal, que como fundadores da Assembléia de Deus da cidade de Moka, na província de Tochigi, me deram muito apoio e oportunidades. Nesse ministério administrei uma secretaria de missões, lecionei na EBD, liderei grupos de jovens e obreiros, fui secretário geral, liderei igrejas, enfim, toda experiência ministerial foi conquistada ali.
Dedico este artigo a esses amigos, como forma de gratidão e testemunho, de que muitos heróis do evangelho, que não são divulgados na mídia, estão trabalhando exaustivamente pelo Reino de Deus.
“Rogai ao Senhor da seara que envie obreiros para o campo, pois ela é grande, mas poucos são os ceifeiros”